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Entrevista com o Economista Paulo Dantas

Aumento de carga tributária durante crise econômica é preocupante, diz economista.
 REPÓRTER: A Carga Tributária Bruta (CTB) atingiu 32,66 por cento em 2015 e aumentou 0,24 ponto percentual em relação a 2014. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (19) pela Receita Federal e mostram que esse aumento da arrecadação foi conseqüência da diminuição de 3,8 por cento do Produto Interno Bruto do país, em termos reais. Além disso, a arrecadação tributária nos três níveis do governo também diminuiu. Para o economista Paulo Dantas, que é ex-presidente do Conselho Federal de Economia, Cofecon, o mais preocupante é que esse número tenha aumentando durante a crise econômica do país.
SONORA: Paulo Dantas, economista e ex-presidente do Conselho Federal de Economia, Cofecon
“Uma coisa que eu acho que é até preocupante é: essa carga tributária, mesmo que tenha tido um aumento que eu considero muito pequeno… o fato é que aumentou. E aumentou em um momento de recessão, de retração da atividade econômica. Isso é o que eu acho mais significativo”.
REPÓRTER: A carga tributária é calculada a partir da relação entre os tributos cobrados dos brasileiros e o Produto Interno Bruto, que é a soma de tudo o que o país produz. Como a economia diminuiu mais do que arrecadou, a carga tributária subiu em 2015. Para Paulo Dantas, ex-presidente do Conselho Federal de Economia, o aumento da carga tributária deveria acontecer, em princípio, em um ambiente de bom desempenho econômico.
SONORA: Paulo Dantas, economista e ex-presidente do Conselho Federal de Economia, Cofecon
“Ele acontece em um momento de retração econômica. Isso aí é que traz uma leitura bem diferenciada. Uma coisa bem fora do contexto que a gente poderia imaginar. Aumento da carga tributária, em principio – só em princípio mesmo – deveria estar atrelado ao desempenho econômico”.
REPÓRTER: Em relação ao aumento de 0,24 ponto percentual na carga tributária do ano passado, metade se concentrou nos tributos do governo federal, que deram um salto de 0,12 ponto percentual em 2015. A arrecadação dos estados subiu 0,05 ponto e dos tributos dos governos municipais 0,07 ponto.
Reportagem, Bruna Goularte