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Proteja seu dinheiro: Especialistas dão dicas de onde investir em tempos de crise

O CORREIO ouviu especialistas para ajudar a esclarecer o que pode ser feito neste momento de insegurança econômica

(Foto: AFP)

O atual cenário de incerteza política e econômica tem se refletido diretamente na instabilidade da bolsa de valores bem como na cotação do dólar. Há ainda por parte dos brasileiros um temor de que a inflação volte a crescer. Diante disso, trabalhadores e investidores estão preocupados e se perguntam o que fazer para proteger suas economias e  impulsionarem seus ganhos. O CORREIO ouviu especialistas para ajudar a esclarecer o que pode ser feito neste momento de insegurança econômica.

Para o educador financeiro do portal Jornada do Dinheiro, Vitor Hernandes, o comportamento do investidor vai depender do seu perfil. “Se ele for um investidor que pensa a longo prazo e que tem bons investimentos, essa desvalorização que o mercado sofreu não será ruim para ele. Ele deve continuar comprando um pouco todo mês”, pontua Hernandes.

Na avaliação dele, esse pode ser um bom momento para adquirir ações de boas empresas, por um preço mais barato. “Como se fosse uma queima de estoque em uma loja que você gosta”, compara.

A mesma opinião é compartilhada pelo educador financeiro Antônio de Júlio. Segundo ele, muitas pessoas estão aproveitando a chamada “liquidação do mercado financeiro” para estocar ações. “Costumo usar aquele velho ditado que diz que depois da tempestade vem a bonança e esses investidores sabem que uma hora a crise vai passar”, diz.

Já o investidor com o perfil mais especulativo precisa tomar mais cuidado. “É recomendado que neste momento ele já tenha um estoque. Se os investimentos forem para o lado de uma forte desvalorização, ele precisa estar atento para vender antes de ter perdas maiores”, alerta Hernandes.

O engenheiro Hamilton Silva (nome fictício ), 32 anos, optou por quatro modalidades de investimento para fazer o seu dinheiro render. Precavido, ele distribuiu o montante em LCIs,  LCAs, CDBs e Tesouro direto. “Fiz essas escolhas porque são investimentos de renda fixa e com baixo risco”,  disse ao CORREIO.

Ele recomenda que o investimento seja feito sempre, desde que se tenha uma meta ou objetivo. O engenheiro afirmou ainda que antes de decidir quais investimentos seriam feitos, ele realizou uma ampla pesquisa na internet para descobrir quais as melhores opções.

O entrevistado pediu que não tivesse a identidade revelada por temer que isso o prejudicasse em uma possível promoção ou recebimento de aumento salaraial na empresa em que trabalha atualmente.

Informação

O advogado e especialista em Educação Financeira Rodrigo Azevedo destaca a importância de buscar informação antes de decidir onde aplicar o dinheiro. “Nunca é bom acreditar na primeira palavra do gerente do banco porque ele vai oferecer o que é melhor para a instituição e não para o cliente”, ressalta.

Azevedo diz ainda que antes de investir é necessário se educar  finaceiramente. “Precisamos moldar nosso comportamento e não gastar com o que não é necessário”.

O doutor em Educação Financeira Reinaldo Domingos acredita que a solução para gerar receita  pode estar mais perto do que se imagina. Domingos recomenda que se faça uma varredura em   casa e separe tudo aquilo que está apenas ocupando espaço.

“A primeira  orientação para aqueles que querem fazer dinheiro no mercado de investimento é desapegar daquilo que não usa há anos. Cada  objeto parado em casa é dinheiro que está sendo perdido”, afirmou.

O educador destaca ainda que o melhor investimento que pode ser feito é a redução dos gastos pessoais. Para isso, ele recomenda que se estabeleça um diálogo franco entre os familiares e se chegue a um consenso sobre onde é possível economizar. “Em suma, o desapego e o controle no consumo pode ser a grande proteção do dinheiro”, finalizou.

Prazo

Já o educador financeiro Antônio de Júlio coloca como ponto fundamental para definir onde  investir o prazo que se pretende sacar aquele dinheiro. Para quem tem pressa, ele recomenda os fundos de investimento em renda fixa, cuja remuneração – ou sua forma de cálculo – é conhecida no momento da aplicação.

Quem pode esperar, o mais indicado é buscar o investimento de renda variável, no qual  a rentabilidade geralmente é maior. “Se a pessoa pode esperar, ela pode buscar uma opção mais ousada”, explica.

Iniciantes

Para quem está começando a investir, o educador financeiro Vitor Hernandes recomenda a aplicação no Tesouro Selic. “Não tem risco de prejuízo para quem precisa regatar antes do prazo porque valoriza um pouquinho todos os dias”. Outras opções são investimentos em renda fixa, como CDB e LCI.

“Não me vejo sem uma reserva”

Desde que começou a trabalhar com carteira assinada, em 2012, a jornalista Luana Marinho, 27  anos, faz questão de guardar parte do que ganha. Adepta da poupança, Luana não enxerga a vida sem essa reserva financeira. “Ter uma poupança é um conselho que dou para todos porque nunca se sabe quando surgirá um momento de dificuldade”.

Ela explica que aprendeu a economizar com os pais e, desde que iniciou seu pé-de-meia, nunca teve um objetivo específico. A poupança, por sua vez, lhe foi bastante útil quando surgiu uma oportunidade de se qualificar profissionalmente. “Há dois anos, comecei uma pós-graduação na UFBA e as mensalidades custavam R$ 500. Com o dinheiro guardado pude fazer a especialização sem comprometer o meu orçamento”, relembrou.

No cenário de crise e incertezas políticas, Luana acredita que fazer um investimento se torna ainda mais importante, sobretudo em função da tramitação das reformas trabalhista e previdenciária. “A aposentadoria, geralmente, prejudica o cidadão, porque ele não se aposenta com o salário integral. Daí, espero, quando me aposentar, ter uma reserva razoável”.

A jornalista conta que não pretende mudar o tipo de investimento. “Já me ofereceram outras opções, mas a poupança tem as vantagens de não precisar declarar e de poder sacar o dinheiro quando quiser”, disse. E completou: “os bancos ainda estão facilitando. Pelo aplicativo do Banco do Brasil, por exemplo, você pode gerenciar a poupança e dividir o valor, mantendo uma variação flutuante e outra para um objetivo específico, tipo comprar um carro”.

O advogado e educador financeiro Rodrigo Azevedo lembra que em períodos de alta inflação a poupança sempre perde. “Por mais que o montante na conta aumente, o poder de compra desse dinheiro diminui”, contou. Segundo Azevedo, existem outras opções tão seguras quanto a poupança e que podem trazer melhores resultados. “O Tesouro Direto tem uma infinidade de títulos diferentes. Existe ainda o mercado de ações e opções como LCI e LCA”.

O  presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia (Corecon-BA), Gustavo Pessoti, defende que a caderneta de poupança está voltando a ser um investimento interessante. “Como as taxas de juros estão baixando, várias aplicações que estavam rendendo mais acabam se aproximando do rendimento da poupança”, defende. Pessoti reforça que as aplicações em renda fixa continuam sendo boas porque não há perdas.

Dica da semana: glossário do investidor

Ação ordinária: É aquela que dá direito de voto ao acionista na assembleia geral da empresa, cujo peso na apuração é proporcional ao número de ações do sócio.

Ação preferencial: Dá preferência para o investidor no recebimento de algumas vantagens (como os dividendos), embora não dê direito a voto na assembleia geral.

Blue chips: Companhias com ações altamente negociadas. Ainda podem representar empresas gigantes, com boa saúde financeira e percepção ampla dos integrantes do mercado financeiro.

CDB: Certificado de Depósito Bancário. Tipo de aplicação financeira em que o investidor empresta dinheiro para um banco em troca de remuneração previamente combinada.

Debêntures: Títulos de dívida privada. As empresas emitem para se financiarem. O investidor que adquire esses títulos faz uma espécie de empréstimo para a companhia.

Fundos DI: Também chamados Fundos de Renda Fixa Referenciados DI, são fundos que aplicam no mínimo 95% do patrimônio nos títulos públicos federais do Tesouro Nacional u em títulos privados de baixo risco.

LCA: Letra de Crédito do Agronegócio. Título de crédito emitido por bancos com o objetivo de obter recursos para financiar o setor agrícola. Quando você compra uma LCA, você empresta dinheiro para o agronegócio e recebe, em troca, seu dinheiro acrescido de uma taxa de juros.

LCC: Letras de Crédito Câmbial. Títulos de renda fixa oferecidos por sociedades de crédito, investimento e financiamento, conhecidas como Financeiras, onde o emitente é o devedor, o beneficiário é a pessoa física ou jurídica que investe o seu dinheiro, e o aceitante é a financeira.

LCI: Letra de Crédito Imobiliário. Título de Renda Fixa lastreado no crédito imobiliário. É um empréstimo que você faz a uma instituição financeira que irá direcionar os recursos para o financiamento de imóveis, assim como na sua construção e reforma.

Poupança: Investimento mais popular no Brasil por quase não oferece riscos. Regulada pelo Banco Central, possui remuneração de 0,5% ao mês (6,17% a.a.), mais a variação do TR.

PGBL: Plano Gerador de Benefícios Livres. Plano que, após um período de acumulação, proporciona aos investidores uma renda mensal, que poderá ser vitalícia, por período determinado ou em um pagamento único. O imposto incide sobre o valor total a ser resgatado.

Selic: Taxa básica de juros da economia. A meta para a Selic é definida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom), colegiado vinculado ao Banco Central. A taxa Selic é usada como base nas operações com títulos públicos federais e serve como referência para as demais taxas de juros do mercado.

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