A secular influência econômica e política do agronegócio lastreou uma corrente ideológica defensora da equivocada tese de ser, a agropecuária, a vocação econômica brasileira; tanto no passado, como só ocorrer atualmente. Tal influência determinou a “opção” da criação da EMBRAPA em 1972.
Uma política pública acertada e que revolucionou a agropecuária brasileira, criando um lastro de cientistas, pesquisadoras(es) e técnicos do mais alto nível a serviço do agronegócio. O erro do regime autoritário da época foi o de não haver criado em favor da indústria brasileira uma entidade correlata e não o fez porque o regime “escolheu” a formação da base industrial do país através das empresas e do capital estrangeiro.
A evidência dessa afirmação nos é dada pela Pesquisa Industrial da Fundação IBGE de 1974, demonstrando que entre as quase 1000 maiores empresas do país, as empresas multinacionais detinham 24,5% do Patrimônio Líquido e 20,2% do Imobilizado Líquido, enquanto as empresas nacionais detinham 21,2% e 16,9%, respectivamente. A diferença era ocupada por empresas estatais.
Voltando à EMBRAPA, uma das suas cientistas, a Dra. Mariangela Hungria, que já havia sido premiada com o “Word Food Prize” em 2025, o Nobel da agricultura, foi agora considerada, pela revista TIME, uma das 100 pessoas mais influentes no mundo.
A Dra Mariângela desenvolveu um trabalho inovador com o uso de microrganismos (agentes biológicos), destinados a controlar pragas, doenças e estimular o crescimento vegetal, além de contribuir com o meio ambiente e que substituem ou reduzem drasticamente a aplicação de fertilizantes químicos na agricultura. Seu uso em cerda de 38 milhões de hectares de plantio de soja (48 milhões de área plantada), reduziu a emissão de CO2 em equivalentes 230 milhões de toneladas métricas. Além disso, dado o seu baixo custo, gerou ganhos bilionários para os grandes agricultores.
Um orgulho para o povo brasileiro, que, efetivamente, financia e mantém a EMBRAPA, há 54 anos! Deixo a pergunta: Quem carrega quem?
Reinaldo Sampaio – Economista e Conselheiro do Corecon-BA.







