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Balanço de 2017 e cenários para a economia baiana em 2018

Economista e presidente do Corecon-BA, Gustavo Pessoti.

O ano de 2017 iniciou-se com uma conjuntura econômica nacional mais adversa do que anteriormente previsto, mas ao longo do ano houve reversão no ciclo e o PIB nacional, no acumulado de janeiro a setembro de 2017, registrou acréscimo de 0,6% em relação à igual período do ano anterior, explicado pelo significativo desempenho da Agropecuária que cresceu 14,5%, enquanto a Indústria (-0,9%) e os Serviços (-0,2%) mostraram queda no período.

Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE), divulgado no mês de novembro, a estimativa de safra nacional supera em cerca de 30,0% a produção agrícola de 2016, alcançando 241,6 milhões de toneladas. As culturas de soja (19,4%), arroz (16,0%), milho (54,7%) e algodão (10,7%) registraram altas relevantes no ano, contribuindo para o resultado.

Pelo lado da demanda, a despesa de consumo das famílias apresentou resultado positivo no acumulado do ano (até o acumulado do terceiro trimstre), o indicador variou 0,4%, influenciado pela desaceleração da inflação e pelo crescimento real da massa salarial. Por outro lado, a formação bruta de capital fixo variou negativamente no período (-3,6%) em relação ao mesmo período de 2016, em função, principalmente, do desempenho negativo do setor da Construção, que acumula queda de 6,1% no ano.

A despesa de consumo do governo também recuou 0,6% no período. As exportações apresentaram alta de 4,0% no acumulado do ano, destacando-se o crescimento das vendas externas de bens agropecuários, veículos automotivos, máquinas e tratores, petróleo e siderurgia. As importações reagiram no período em análise, registrando alta de 3,9% no acumulado do ano, com aumento relevante nas compras de matérias primas, bens de capital e produtos de vestuário.

O Produto Interno Bruto da Bahia, divulgado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), apresentou leve crescimento neste ano, após declinar a uma taxa de 4,9%, em 2016. No acumulado do ano até o terceiro trimestre, a atividade econômica baiana aumentou 0,3%. A Agropecuária variou positivamente em 26,6%, enquanto a Indústria e os Serviços apresentaram queda de 4,0% e 0,2%, respectivamente.

O cenário macroeconômico de elevado endividamento das famílias e das empresas e o baixo nível de emprego afetaram o consumo doméstico, os gastos do governo e os investimentos privados, o que acarretou no reduzido crescimento do setor serviços. A fraca demanda interna prejudicou o crescimento da produção industrial, especialmente da indústria da transformação e construção civil privada. O setor agropecuário, por sua vez, apresentou desempenho bastante satisfatório influenciado principalmente pelo clima favorável, o que corroborou para o aumento das exportações.

A expectativa de significativo desempenho no setor agropecuário em 2017 está confirmada, beneficiado pelo clima favorável, pela demanda crescente por alimentos e pelos preços mais competitivos no mercado externo. A expectativa de safra 8,6 milhões de toneladas, 41,1% acima da safra de 2016, viabilizada pelas estimativas de produção física da soja (57,7%), milho (28,7%), feijão (85,5%) entre outras culturas, de acordo com o Levantamento Sistemático de Produção Agrícola (LSPA) divulgado no mês de novembro pelo IBGE.

No âmbito do comércio exterior, a Bahia acumulou um superávit de US$ 865,4 milhões na balança comercial de janeiro a novembro de 2017. As exportações alcançaram US$ 7,4 bilhões e cresceram 18,1%, enquanto que as importações foram de US$ 6,5 bilhões, crescendo 12,8%, comparadas ao mesmo período do ano passado, conforme dados do Ministério de Desenvolvimento da Indústria e Comércio (MDIC/SECEX) analisados pela SEI.

A variação positiva dos preços das commodities ajudou no desempenho positivo das exportações, mas ressalta-se que grande parte do aumento deve-se ao volume embarcado, que cresceu 14,5% até novembro, influenciado, principalmente, pelas vendas de soja, minerais e automóveis.

Já o crescimento das compras externas no ano deve-se, além do aumento nas compras de combustíveis (18,5%), ao incremento em 11,1% do quantum importado, principalmente de matérias primas como minério de cobre e insumos para a indústria química; do aumento das compras de peças e acessórios para indústria automotiva; e da baixa base de comparação, pois as compras externas foram fortemente afetadas pela retração da atividade econômica em 2016.

No mercado de trabalho, os indicadores do ano evidenciaram quebra na intensidade de perdas de emprego no estado. O saldo de empregos formais no acumulado até outubro apresentou um saldo positivo de emprego formal de 14.228 postos de trabalho, levando em conta a série ajustada, que incorpora as informações declaradas fora do prazo, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho, com resultado positivo no interior do estado (20.674 postos) e negativo na RMS (-6.446 postos). A massa de rendimento médio real habitual variou positivamente 0,5% no terceiro trimestre de 2017, em relação ao mesmo trimestre de 2016, refletindo ganhos com a queda da inflação.

No último trimestre de 2017, o desempenho do nível de atividade econômica está condicionado, principalmente, ao crescimento da ocupação no mercado de trabalho, mas outros fatores também são necessários: manutenção do nível de preços em patamares baixos que propicie o aumento no poder aquisitivo; estímulo maior ao crédito em decorrência da queda da taxa SELIC; e um cenário político menos conturbado que promova a estabilidade econômica e o equilíbrio fiscal. Esses aspectos são decisivos para uma retomada mais considerável do setor de serviços, que é aqueles que mais peso tem na estrutura produtiva do Brasil e da Bahia. A expectativa é que essa retomada só se efetive em 2018, o que deve fazer o setor de serviços fechar o ano próximo da estabilidade.

Perspectivas para 2018

As expectativas, segundo o Boletim Focus divulgado em 15 de dezembro para 2018, do PIB nacional, é que este irá crescer 2,6% em 2018. Essa previsão está associada à retomada gradual do nível de atividade, do consumo das famílias e do governo e do investimento.

Espera-se que o Banco Central continue a manter a taxa Selic no patamar de 7,0% no próximo ano, a qual propiciará condições favoráveis ao financiamento de despesas de consumo e investimento.  E que a taxa de inflação permaneça dentro da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional. Ressalta-se que a retomada do crescimento da economia brasileira depende muito da questão fiscal e da percepção de risco em relação à sustentabilidade das contas públicas.

Para a economia baiana, a expectativa é de crescimento de 2,5% do PIB. Este acréscimo na atividade econômica reflete principalmente as estimativas positivas para a agropecuária e a recuperação do setor industrial baiano, que devem contribuir para o aumento da demanda do setor de serviços, mas, este último deverá apresentar uma retomada um pouco mais lenta, atribuída ao baixo nível de ocupação no mercado de trabalho.

Tendo em vista o forte crescimento da atividade agropecuária em 2017, a contribuição do setor para o próximo ano deverá manter-se positiva, mas com taxa menos expressiva. As primeiras estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) apontam para uma taxa de crescimento da produção baiana na margem, podendo chegar a 2,7% em relação à safra de 2017, algo em torno de 8,6 milhões de toneladas de grãos. Pelas características da própria atividade, o comportamento do clima, no tocante as temperaturas e à regularidade na distribuição das chuvas, será determinante para o desempenho da agropecuária.

Na Indústria, a atividade apresentará resultados positivos, condicionada à elevada capacidade ociosa, aos baixos estoques, a demanda interna e externa aquecida e aos juros mais baixos. Mas o crescimento do setor ainda deverá ser suave, apesar da baixa base de comparação, pois a Construção Civil e a Extrativa Mineral, ainda exibem desempenho aquém da Indústria de Transformação (e nesse momento de fim de ano, ainda não há expectativa de grande mudança no quadro para a construção civil, principalmente para o segmento imobiliário).

O principal fator a compensar esse cenário está na atração de investimentos, que poderá influenciar o desempenho de setores importantes para a indústria baiana, a exemplo do setor de energia, alimentos, petroquímica entre outros. Para o orçamento de 2018 estão previstos investimentos de R$ 3,5 bilhões considerando-se todas as fontes de recursos.

As perspectivas para o setor de serviços e comércio estão pautadas pela retomada da economia, associadas à manutenção da inflação e de taxa de juros mais baixas, aumento do crédito e aumento do poder aquisitivo. O aumento da ocupação deverá proporcionar ganhos reais de massa salarial impulsionando o consumo. Há expectativas de que a retração da taxa de juros favoreça ao financiamento para aquisição de bens duráveis, como automóveis e eletrodomésticos.

Entre os fatores determinantes para um ambiente favorável à retomada dos investimentos, estão: equilíbrio fiscal; inflação próxima do centro da meta; taxas de juros mais baixas; dólar em patamar competitivo; e estímulo aos setores exportadores. Por outro lado, os principais riscos ao cenário econômico nos próximos anos referem-se às incertezas no ambiente político nacional e internacional.

No período compreendido entre 2018-2020, as previsões para o crescimento do PIB da Bahia estão em média de 2,2% ao ano. A retomada da confiança pelos agentes econômicos e a continuidade de investimentos públicos no programa de mobilidade urbana em Salvador, Minha Casa Minha Vida e de infraestrutura, principalmente a partir da agenda de concessões do governo federal, que engloba a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol); modernização da estrutura portuária em Aratu e Salvador; e o Aeroporto de Salvador, poderão alavancar o crescimento da economia baiana nos próximos anos.

Entre as expectativas de investimentos no curto prazo tem-se a construção do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) de Salvador, investimento que deve ser viabilizado na forma de Parceria Público-Privada (PPP) e investimentos do setor industrial ­­– como na geração de energia renovável, eólica e solar e no setor mineral. Além desses investimentos tem-se a conclusão do sistema metroviário e dos corredores de transporte transversal I e II, e, ainda a expectativa criada em torno do aeroporto de Vitória da Conquista.

Se esses investimentos se efetivarem, bem como, se houver o aporte esperado em setores estratégicos como energia (eólica e solar), química e petroquímica e nos setores de gêneros alimentícios e de distribuição, pode-se inferir que 2018 será um ano de retomada de crescimento mais consistente para a economia baiana.